O programa Criança Alagoana apoia pesquisa sobre anemia em crianças com idade de 6 a 24 meses

O programa Criança Alagoana (Cria), através da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), apoiou a pesquisa sobre a suplementação de ferro e de vitamina A, em crianças com idade de 6 a 24 meses, realizada em 6 municípios alagoanos. Os dados serão utilizados para auxiliar os municípios na melhoria da gestão operacional dos programas de suplementação.

Os dados foram divulgados ontem (06), pelo Centro de Recuperação e Educação Nutricional (Cren) em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e o grupo de estudo Situação Alimentar e Nutricional na Infância (Sanuti). Das 1.604 crianças avaliadas, 58,1% estão com anemia, sendo 32,9% com anemia moderada, 24,3% com anemia leve e 0,9% com casos graves.

“Detectamos uma elevada ocorrência de anemia, associada a agravos nutricionais e precárias condições socioeconômicas, além de uma reduzida adesão e ausência de capacitação sobre os programas nacionais para enfrentamento das carências nutricionais”, explicou a pesquisadora do Cren, Ana Paula Clemente.

Para chegar a esses resultados foram avaliadas crianças beneficiárias do programa Bolsa Família, levantamento de dados sociodemográficos, antropométricos, coleta de sangue, análise da caderneta de saúde e pesquisa sobre tipo de alimentação ofertada para as crianças, incluindo a fase gestacional.

Dados

Os dados da pesquisa que fala sobre amamentação apontam que 92,8% das crianças foram amentadas, mas 60,3% deram continuidade até um ano de idade. O grupo alimentar in natura de maior consumo foi o de grãos, raízes e tubérculos, mas o índice de consumo de alimentos ultraprocessados é elevadíssimo entre as crianças, especialmente achocolatados e biscoitos.

O resultado é percebido na avaliação do estado nutricional. O índice de Massa Corporal (IMC) para a idade mostra que 62% possuem eutrofia; 26%, risco de sobrepeso e 11,7%, excesso de peso. Além disso, 9,7% estão com baixa estatura.

A divulgação da pesquisa aconteceu simultaneamente com a capacitação dos coordenadores municipais dos programas de suplementação. Para isso, os pesquisadores da Ufal convidaram a consultora técnica do Ministério da Saúde, Ludimyla Rodrigues, para dar uma palestra sobre as orientações corretas da operacionalização das suplementações.

“Mapeamos o problema, estamos colocando em discussão e apontando os caminhos para que os órgãos públicos busquem melhorias. Carência de ferro pode trazer atraso no crescimento linear, prejuízo aos desenvolvimento cognitivo e motor, além da hipovitaminose A, associada à anemia, trazer outros problemas de saúde para as crianças”, explicou a pesquisadora Marília Mendes.

Cria
Pesquisas tendo como público-alvo a primeira infância são algumas das ações do Cria, que por intermédio desses dados elabora e propõe políticas públicas que visam a melhoria nos cuidados com as gestantes e crianças. Os seis municípios onde a pesquisa foi realizada foram os que aderiam ao programa da primeira infância de Alagoas, em 2018, sendo eles: Pilar, Murici, São Luiz do Quitunde, Pão de Açúcar, Batalha e Teotônio Vilela.

“O Cria foi essencial para aproximação com os municípios, quando para execução da pesquisa. A partir de agora o Estado vai entrar com as medidas estratégicas para combater as carências nutricionais e melhorar as condições de vidas dessas crianças”, disse a pesquisadora Marília Mendes.

Ascom – 07/11/2019

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